Um texto para quem sofre de compulsão alimentar

Atualizado: Abr 30


Ph: Alê Torres

Você já parou pra pensar sobre a sua relação com a comida que você come? Quando você pensa em comida, que tipo de sentimento te desperta? Conforto, alegria, tristeza, medo, culpa, todas as opções ao mesmo tempo? A primeira resposta pra essa pergunta que aparece pra você diz muito a respeito da forma como você se alimenta e como você se relaciona com o alimento. Não só de comida, mas também de sentimentos e pensamentos.

Nosso contato com a comida é muito íntimo e faz parte de toda a nossa vida. Comemos desde que viemos a esse mundo. Muitas das nossas experiências da nossa infância, da nossa adolescência, de momentos marcantes das nossas vidas, vão ditar como essa relação se construiu e como irá prosseguir. Se você respondeu negativamente à primeira pergunta que te fiz, pergunte-se: eu sei apontar quando que essa relação conturbada começou?

Existe uma sabedoria alimentar intuitiva que faz parte de nós. Quando uma criança de 1, 2 anos sente fome, ela chora ou pede comida. Assim como quando está satisfeita, mesmo que você ofereça o alimento favorito dela, intuitivamente ela irá rejeitar. Isso porque ela ainda não teve nenhum contato com a alimentação emocional, pelo menos não racionalmente. A alimentação emocional acontece quando comemos por razões variadas e não porque temos fome simplesmente. A medida que o tempo vai passando, nosso cérebro vai fazendo associações afetivas em relação à comida, vamos criando hábitos, sentimentos e gatilhos e essa sabedoria intuitiva vai se perdendo. Dando espaço para a alimentação emocional e afetiva. Ações simples de nossos pais e educadores como forçar a criança a comer quando ela não quer, recompensar um comportamento com doces ou guloseimas acabam ajudando nosso cérebro a fazer associações comportamentais equivocadas em relação à comida...

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Para a mudança de uma relação conturbada para uma relação harmônica é necessário primeiramente um olhar amoroso para si mesmo. Com compaixão para ensinar a sua criança interior a como se reconectar com seus instintos e intuições. A como agir mais pelas necessidades orgânicas e menos pelas emocionais. A se perdoar e não se julgar. Entender as situações e motivos pelos quais você come. E quais efeitos isso causa nas suas emoções, no seu corpo, na sua vida.

Você já se perguntou o por quê você come?

Por exemplo, por que você toma o seu café da manhã? É por que acorda com fome? Por que é um hábito da sua família e você já está acostumada a isso? Ou simplesmente por que a mesa está posta e o alimento estava ali na sua frente?

Algumas pessoas comem quando veem pessoas comendo, comem quando estão assistindo televisão, comem quando querem extravasar e relaxar, comem quando tem comida grátis ou simplesmente comem porque a comida está bonita e atrativa. Você sabe dizer se come mais quando está triste? Ou se perde a fome nesse caso? Come mais quando está ansioso ou entediado? Come quando está feliz e quer comemorar? O come por que “merece”?

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Vou usar um exemplo de uma paciente. Ela tinha uma mãe que trabalhava muito. Vivia sempre ocupada, viajando a trabalho. Quase não tinha tempo para brincar com ela ou ajudá-la no dever de casa da escola. O pai, abandonou a família antes dela nascer. Ela passou boa parte da infância sendo criada pela avó, que sempre quando a percebia sentida ou triste, a mimava com guloseimas e delícias açucaradas. Mesmo na melhor das intenções, essa avó, por razões diversas, desde culpa a uma noção iludida de responsabilidade, fez com que ela criasse um gatilho e uma memória afetiva em relação à comida de alívio a dor e ao sofrimento.

E ela cresceu e levou esse gatilho por toda sua adolescência e vida adulta, desencadeando uma compulsão alimentar e uma relação muito conturbada com a comida. Talvez essa história te ajude a entender como fazer rastreios da sua infância em momentos importantes na construção desses gatilhos. Identificar quando aconteceu é um passo magnífico para dar início a esse processo de reequilíbrio e libertação. Entenda que alimentar é realmente maravilhoso. Um docinho e uma guloseima podem facilmente fazer parte de uma alimentação saudável. Alimentar-se de forma saudável não está em comer só legumes e verduras o resto da vida. Não beber um vinho de vez em quando, nunca mais comer uma pizza ou uma massa com queijo. O que importa é sempre COMO você está comendo, PORQUÊ você está comendo, o QUANTO está comendo e COMO isso te faz sentir antes, durante e depois.

Esteja ciente dos seus processos, busque o autoconhecimento e realize sua jornada de equilíbrio e libertação. Você pode!

Namasté,

Xanda.

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